A Aveleda abre o leque
José Maria Santana

Durante muitos anos, a Quinta da Aveleda, uma das maiores vinícolas de Portugal, dedicou-se quase que exclusivamente aos Vinhos Verdes, produzindo por exemplo o popular Casal Garcia, um dos brancos mais vendidos no Brasil e no mundo. Nos últimos anos, entretanto, com o crescimento de suas exportações, a empresa procurou ampliar sua base de produtos e expandiu as atividades para outras DOCs portuguesas, estando presente hoje também no Douro, na Bairrada, Estremadura e Beiras. Nesta nova fase, destacam-se os brancos bairradinos Quinta da Aguiera, nas versões Bical/Maria Gomes e Chardonnay. Do Douro vem o tinto Charamba.

Para o mercado brasileiro há outra novidade: os vinhos da Quinta da Aveleda, antes importados pela Casa Nunes Martins, do Rio de Janeiro, são representados agora com exclusividade pela empresa paulista Interfood. “Estamos trazendo 14 vinhos, de estilos e preços diferentes, para atender a várias faixas de consumidores”, diz Gabriel Cury, presidente da Interfood.

A região dos Vinhos Verdes, no Minho, Noroeste de Portugal, é uma das maiores e mais antigas do país. Tem área de 25 mil hectares ocupados pelas vinhas nos distritos de Aveiro, Porto, Braga, Viana do Castelo, Viseu e Vila Real. A Quinta da Aveleda é a maior produtora da apelação. A empresa, presidida por Antônio Guedes, pertence à sua família há sete gerações. Um de seus principais executivos é o experiente Paulo Amorim, que dirige também o G-7, o grupo que reúne as sete maiores vinícolas lusas.

No total, a Aveleda produz perto de 14 milhões de garrafas por ano. A propriedade que lhe dá o nome, Quinta da Aveleda, situa-se na região demarcada dos Vinhos Verdes, no coração da sub-região de Penafiel, uma das seis que compõem a DOC.


Quinta da Aguiera

A Aveleda está no Douro desde 1994, quando começou a produzir o tinto Charamba, de preço acessível (faixa de R$ 18,00). A entrada na Bairrada é mais recente. A família Guedes comprou a Quinta da Aguiera, propriedade histórica situada em Águeda. No passado, os tintos e brancos da Quinta da Aguiera fizeram sucesso em Portugal, especialmente nas décadas de 1940 a 1960. Para recuperar o antigo prestígio, os novos proprietários investiram na reestruturação da vinha e modernização da adega.

Além dos brancos Quinta da Aguiera Bical/Maria Gomes e o monocasta (varietal) Chardonnay, há os tintos Quinta Aguiera Touriga Nacional/Cabernet Sauvignon e o varietal Touriga Nacional. Outros vinhos produzidos na propriedade também indicam a DOC Beiras.

Já na denominação Estremadura, a casa produz o tinto Aveleda Estremadura, a partir das castas Castelão Francês (ex-Periquita), Tinta Miúda e Camarate. São todos importados pela Interfood - (11) 3341-7255.


Vinhos Verdes

Embora tenha buscado novos ares, a empresa continua a ter forte presença na região dos Vinhos Verdes, onde é líder de mercado. Sua propriedade principal, a Quinta da Aveleda, têm área de 150 hectares, dos quais 120 ha. ocupados pela vinha. No centro, fica o magnífico Parque da Quinta da Aveleda, com cerca de 15 ha, uma espécie de bosque/jardim rodeado por um muro de pedra com 3 metros de altura e plantado com belas e numerosas árvores de grande porte. A primitiva residência senhorial ali existente foi erguida em 1671, como está indicado na porta da Capela. Passou por reformas no século XIX, que a ampliaram.

A empresa responde por 40% das exportações portuguesas de Vinho Verde. Somente do Casal Garcia, produz mais de 5 milhões de garrafas todos os anos. No Brasil, o branco custa cerca de R$ 18,00 nos supermercados. Seus outros brancos são Aveleda, Quinta da Aveleda, Trajadura da Aveleda, Loureiro da Aveleda, Grinalda e Aveleda Alvarinho.

São vinhos que refletem o caráter da Região Demarcada dos Vinhos Verdes. O nome sempre chama a atenção do consumidor, que quer saber sua origem. Não há consenso sobre isso. Alguns atribuem a denominação Vinho Verde à paisagem característica do Minho, cuja exuberante vegetação permanece verde mesmo no inverno. Mas a maioria dos autores associa o nome às condições das uvas típicas da denominação. Não é que sejam colhidas antes do tempo, ou seja, antes de amadurecer totalmente. É que, mesmo maduras, dão origem a vinhos com elevada acidez e baixo teor alcoólico. Um vinho que não amadurece como os demais. Assim, o nome Vinho Verde seria um contraponto ao que popularmente em Portugal se chama de vinho maduro.

As principais cepas brancas do Minho são Alvarinho, Loureiro, Trajadura, Azal Branca, Rabigato, Esganoso, Padeiro e Pedernã. No processo de vinificação dos Vinhos Verdes é desejável sempre que sobre um pouco de gás, responsável pela “agulha” típica, que parece picar a língua. Nos vinhos mais simples e baratos, os produtores costumam injetar gás carbônico. A região também elabora tintos, mas os brancos são mais conhecidos do consumidor. No clima brasileiro, os Vinhos Verdes são sempre uma gostosa alternativa, pois normalmente são leves e refrescantes.


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