Caves Dom Teodósio, presente em 16 DOCs
José Maria Santana

Até 1996, 85% dos vinhos que saíam das cantinas da vinícola portuguesa Caves Dom Teodósio eram tintos e brancos de apelo popular e baratos. Hoje, apenas cinco anos depois, 55% da produção da empresa são vinhos de maior qualidade. Os números mostram a transformação vivida pela casa, uma das cinco maiores de Portugal. Outra mudança é geográfica. Originária do Ribatejo, a Dom Teodósio está presente hoje em 16 apelações diferentes, entre elas Vinhos Verdes, Porto, Douro, Bairrada, Dão, Alentejo, Bucelas, Estremadura, Madeira e Palmela.

A empresa oferece campeões de simplicidade, como o Vinho Verde Calamares. Mas produz igualmente uma linha de melhor nível, em que se incluem o Terra das Fragas Reserva, Dom Teodósio Bairrada Garrafeira, o Quinta de São João Batista Reserva e um tinto artesanal à moda antiga, o Quinta de São João Batista Pisa a Pé Ribatejo.

São estas novidades que a firma quer mostrar ao consumidor brasileiro. "Fizemos muitos investimentos nos últimos anos, para melhorar a qualidade do nosso vinho, e é isso que pretendemos destacar", diz Luís Gouveia, diretor de Exportações da vinícola, que veio mais uma vez ao Brasil dias atrás, para organizar degustações especiais em São Paulo e no Rio de Janeiro. Nosso país é o 6o maior mercado da Caves Dom Teodósio. Aqui, seu representante geral é o conhecido Rubens Caporal, dono da antiga Casa Prata, hoje Prata Representações. Como a variedade de produtos é grande, os vinhos são distribuídos por diversos importadores, entre eles a Santar, Casa Santa Luzia, MGC e Humberto Leite.


Nova mentalidade

A companhia foi fundada em 1924, por João Teodósio Barbosa. Sua bela sede situa-se na cidade de Rio Maior, na região do Ribatejo, 80 km ao norte de Lisboa, perto de Santarém, a terra de Pedro Álvares Cabral, e do Oceano Atlântico. Durante muito tempo, a casa teve por filosofia a venda de vinhos comuns em grandes volumes. Há até uma curiosidade: em suas terras próprias, produz de 1 a 1,5 milhão de litros de vinho por ano, mas comercializa 16 milhões de litros, comprados de terceiros. O diretor Luís Gouveia afirma que esta mentalidade quantitativa está mudando.

A modernização começou em 1987, com a compra da Quinta de São João Batista, localizada em Brogueira, perto da histórica cidade de Tomar e da Reserva Natural do Paul do Boquilobo, no Ribatejo. A propriedade tem 120 hectares, dos quais 90 ha plantados com uvas. Gouveia assinala que, de certa maneira, a Dom Teodósio foi uma das precursoras do conceito de "Vinho de Quinta", hoje uma das tendências em Portugal. Até alguns anos os produtores não valorizavam no rótulo o local de origem de seus vinhos, normalmente elaborados com uvas de vários vinhedos. Além da Quinta de São João Batista, a Caves Dom Teodósio lançou o Quinta do Bairro Falcão e o Quinta D'Almargem.

Outra inovação foi associar o nome da propriedade com uma única cepa típica, oferecendo Vinhos de Quinta varietais, ou monocastas. Nessa linha há, por exemplo, o branco Quinta de S. João Batista Fernão Pires e o Quinta D'Almargem Trincadeira Preta.


Os vinhos


Há três anos, a Caves Dom Teodósio comprou da Real Companhia Velha a marca de Vinhos Verdes Calamares, que no passado já vendeu muito no Brasil. Nesse mesmo estilo, dispõe ainda do Lagosta.

No total, a empresa produz mais de 30 tintos e brancos diferentes, provenientes de 16 regiões demarcadas portuguesas, distribuídos em faixas para atender a todo tipo de consumidor. De acordo com a legislação lusa, são classificados como Vinhos de Quinta, Vinhos D. O. C. e Vinhos Regionais. Na categoria dos Regionais, teoricamente a mais despojada, enquadram-se o Casaleiro (Ribatejo), Capote (Alentejo), Topázio (Beiras), Tonel 22 (Douro), Quinta das Murgas e Solavesso (Estremadura).

Entre os D.O.C., contam-se os tintos e brancos Serradayres (Ribatejo), Terra das Fragas (Douro), Cardeal Dão, Dom Teodósio Bairrada, Quinta de Avelar (Bucelas), Terra de Moiros e Almargem (Palmela).

Os Vinhos de Quinta são todos da D.O.C. Ribatejo, originários de diferentes sub-regiões. Na lista dos Quinta São João Batista há os brancos Fernão Pires e João Santarém e dois tintos, um corrente e um Reserva, da sub-região de Tomar. O Quinta D'Almargem Garrafeira Tinto e o Quinta do Bairro Falcão Tinto e Reserva Tinto provém de Cartaxo. Interessante, pela relação preço/qualidade (R$ 25,00), é o tinto Cabeça de Toiro Reserva, da sub-região Santarém, produzido com a casta João Santarém - em cujo aroma misturam-se notas de madeira, fruta madura e frutas secas.

Com a marca Rupestre, a empresa tem uma linha dedicada aos Vinhos do Porto - nas versões White, Tawny, Ruby, 10 Anos, 20 Anos e LBV. Produz também aguardentes vínicas (Dom Teodósio Velhíssima e Casaleiro Reserva), bem como o brandy Casaleiro e a bagaceira Rimor.

No catálogo há ainda o tinto Quinta de São João Batista Pisa a Pé 2000, elaborado no Ribatejo com a uva Castelão Francês. O esmagamento das uvas com o pé humano era uma prática tradicional, abandonada pelas vinícolas portuguesas pelo custo elevado da mão-de-obra e introdução de novas tecnologias. No caso, a empresa queria apresentar um tinto bem cuidado, quase artesanal, com tiragem limitada a 10 mil garrafas. É um luxo a que uma grande vinícola pode se reservar, lembrando a propósito, que o lema da Dom Teodósio é "Da uva ao prazer".


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